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Quarta-Feira, 19 de Janeiro de 2011, 11h09
Operação do BC no mercado futuro alcança US$ 988 milhões
G1
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O Banco Central vendeu todos os 20 mil contratos de swap cambial reverso em leilão nesta sexta-feira (14), com volume equivalente a US$ 988 milhões, informou a autoridade monetária.

No vencimento de abril de 2011, foram colocados 3 mil contratos, com taxa nominal de 1,8607%. Os 7 mil papéis com vencimento em julho de 2011 foram vendidos com taxa de 1,6966%. O vencimento mais longo, para janeiro de 2012, teve 10 mil contratos vendidos à taxa nominal de 1,8788%.

O BC voltou a atuar no mercado de derivativos nesta sexta após mais de um ano e meio sem operar contratos de swap cambial reverso, instrumento que equivale à uma compra de dólares no mercado futuro de câmbio. Com a operação, o BC paga ao mercado um rendimento em juros e recebe em troca a variação cambial do período de duração do contrato.

A medida é mais um esforço do governo para tentar conter a queda do dólar, fator que gera perda de competitividade para as empresas brasileiras, uma vez que as importações ficam mais bartas e as vendas externas ficam mais caras. O dólar baixo foi um dos fatores que contribuiu para que a balança comercial brasileira a registrasse, em 2010, o pior resultado em oito anos.

"É mais uma orientação de que nesse momento é necessária uma intervenção maior no mercado de derivativos, no mercado futuro. O que o BC voltou a fazer é uma intervenção clássica. Empresas ou bancos vendendo na posição vendida futura, e nós vamos ficar em uma posição comprada futura para neutralizar essa operação. Quando alguém fica vendido no mercado futuro, isso aumenta a oferta de dólares e, portanto, desvaloriza o dólar e valoriza o real", afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega nesta sexta-feira.

Dólar em queda e medidas

Nesta quinta-feira (13) , o dólar comercial encerrou o pregão com queda de 0,47%, cotado a R$ 1,667 na compra e a R$ 1,669 na venda. No início desta semana, o governo informou que o fundo soberano também poderá comprar dólares no mercado futuro, o que pode ser operacionalizado também por meio dos contratos "swap cambial reverso". Essa foi mais uma tentativa de influenciar na cotação da moeda norte-americana, que segue com pressão de queda.

Na semana passada, o ministro Mantega, convocou uma entrevista para dizer que o governo não deixaria o dólar derreter. Também na última semana, o BC baixou medidas que estimulam a compra de dólares pelos bancos, por meio da redução de sua posição vendida em moeda norte-americana.

Guerra cambial

Apesar da preocupação do governo com a taxa de câmbio, números do Banco Central mostram que as divisas continuam a entrar no país. Somente na primeira semana deste ano, US$ 4 bilhões ingressaram no Brasil, o que corresponde a 17% de toda a entrada do ano passado (US$ 24,3 bilhões).

O ingresso de recursos no Brasil acontece em meio à chamada "guerra cambial", que é o esforço de alguns países para desvalorizar suas moedas e gerar melhores condições de competitividade para suas empresas. A entrada de dólares no Brasil, porém, gera efeito contrário, valorizando o real e tornando as exportações mais caras.

Ao mesmo tempo em que a China mantém a sua moeda (yuan) artificialmente desvalorizada, o Banco Central dos Estados Unidos (Federal Reserve) anunciou, no início de novembro, a intenção de adquirir mais US$ 600 bilhões em títulos públicos até a metade deste ano, no chamado "quantitative easing", o equivalente a US$ 75 bilhões por mês até março de 2011.

Isso significa que estes valores estão retornando para o mercado financeiro. Há o temor de que os detentores destes recursos possam buscar remunerações mais atrativas para seu investimento, e o Brasil, que passa por um momento de forte expansão econômica combinada com juros reais em torno de 5% ao ano - os mais elevados do planeta - poderia ser um dos principais destinos destes valores.
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